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Millenium Ecosystem Assement e TEEB

As duas avaliações que foram feitas as serviços de ecossistemas, Millenium Ecosystem Assessment (MA) e TEEB usam abordagens diferentes:
  • MA - fica-se na importância relativa nas ligações entre as componentes do ecossistema e o bem estar humano
  • TEEB - considera os serviços de ecossistemas entre os sistemas natural e humano e identifica os benefícios para as pessoas dos serviços providenciados pelos ecossistemas, separando benefícios e valores
Qual a abordagem mais eficaz?

Os serviços de ecossistemas são um produto do ecossistema e da energia humana (os alimentos que são produzidos requerem trabalho humano).

Em 2010, foi criado um indicador chamado SEBI - Streamlining European Biodiversity Indicator, que tentou mapear os serviços dos ecossistemas europeus, quantificar e modelar e identificar os compromissos (trade-offs) entre os serviços de ecossistemas. Um importante conceito é o custo de oportunidade, custo de escolher um determinado serviço em detrimento de outro (por exemplo, manter uma floresta em vez de a usar para atividades humanas de produção).

A análise custo-benefício que tradicionalmente é feita ignora os custos das perdas e os benefícios de conservação de serviços que não estão no mercado. É uma análise puramente economicista.

O que leva as pessoas a gerir um ecossistema que acarreta perdas na biodiversidade?
A lei de Hooper indica que o tempo conta, ou seja, que há uma relação forte entre a idade e diversidade. Esta constatação partiu da observação de sebes, que são espécies vivas que atraem outras espécies (1 espécie a cada 100 anos).
  • alterações do uso do solo, sobretudo expansão agrícola em terras aráveis
  • fragmentação
  • extração em excesso
  • espécies exóticas
  • poluição
  • alterações climáticas
Há fatores diretos e indiretos que levam à perda de biodiversidade e os fatores indiretos influenciam os diretos (por exemplo, o aumento da procura para produção agrícola implica expansão agrícola).

As decisões que tomamos no presente em relação ao uso do solo tem implicações no futuro. Daí falar-se em valor opção da biodiversidade, que é o valor de preservar a opção de usar os serviços no futuro. Também há o valor quase-opção, que é o valor de evitar uma decisão irreversível até que esteja disponivel nova informação. Mas neste caso como sabemos que já temos toda a informação que nos permite decidir? E se nunca conseguirmos reunir toda a informação, não devemos tomar a decisão?
No sul dos EUA, no estado da Georgia, a dependência em fertilizantes após a libertação dos escravos dos campos de algodão, criou uma erosão de tal magnitude que o solo precisará de 10 000 anos para recuperar! Caso se tivessem conhecido os efeitos dos fertilzantes antes, talvez se conseguisse evitar esta situação.


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