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Uso de recursos - água e solo

Iniciou-se mais uma unidade curricular, desta vez sobre uso de recursos - água e solo.
Esta UC tem uma componente de Planos de Gestão de Região Hidrográfica, educação e sustentabilidade e eficiência no uso de recursos - o caso da produção animal.

Planos de Gestão de Recursos Hídricos
Implementados pela Diretiva-Quadro da Água, que está agora em revisão, têm ciclos de 7 anos e têm como objetivo melhorar o estado das massas de água e que estas atinjam o bom estado.
Pressupõe a definição de um programa de medidas e incentiva fortemente a participação pública.

Educação e sustentabilidade
Comunicar ciência é torná-la acessível nos seus conceitos a toda a gente se explicada e disponibilizada.
Os meios de comunicação social têm um importante papel de divulgação da informação científica ao cidadão comum
Educar para  a sustentabilidade implica:
  • ensinar a pensar nas controvérsias inerentes a assuntos complexos, muitas vezes defendidos por cientistas em lados opostos
  • colocar os cidadãos no centro dos problemas, ajudá-los a desconfiar do imediato, propondo a análise da situação sob diferentes pontos de vista para que tomem decisões baseadas em informação científica
No fundo, é importante aprender a pensar e promover uma participação informada.
O termo literacia científica foi introduzido por Paul Hurd em 1958 e promove a interligação entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente.
A compreensão pública da ciência é o modo como os cidadãos se apropriam da ciência e de como a ciência é apresentada aos cidadãos tentando promover a sua compreensão. Teve origem no Reino Unido, em 1985.
A cultura científica pressupõe assim o envolvimento público com a ciência através de:
  • mudança de comportamentos
  • participação ativa
  • educação
  • voluntariado
É literacia em ação (oral, escrita e digital). Usa as aprendizagens para lidar com situações que envolvem a ciência e a tecnologia e capacita os cidadãos para atuarem.
Tem-se evoluído para uma ciência cidadã, ou seja, aquela que tem a participação direta dos cidadãos, com contributos de recolha de dados através de dispositivos móveis.

Eficiência no uso de recursos - o caso da produção animal
A produção animal pode ser intensiva ou extensiva
A eficiência energética ocorre às seguintes escalas:
  • animal (cadeias tróficas e fluxo de energia; design dos sistemas digestivos, estratégias digestivas e metabólicas dos animais e competição direta com o homem)
  • sistemas de produção (mais intensificado - menos recursos utiliza - menor impacto)
O objetivo é a intensificação sustentável da produção animal.
A produção animal tira partido de muitos cereais e alimentos que não são considerados apropriados para consumo humano, por diversas razões, e que iriam ter como destino o aterro ou até poderiam apodrecer nos campos. Adicionalmente, é muitas vezes feitas em locais que não são adequados para a agricultura (mas destroem outro tipo de ecossistemas, como florestas?).
O que afeta as emissões de gases de efeito de estufa dos animais é o tipo de dieta animal e também o tipo de animal e o estágio em que se encontra.
Há sequestro de carbono no crescimento da vaca e nas ervas que a vaca pasta.
A digestão dos ruminantes implica sempre alguma produção de metano, devido ao seu sistema digestor.
Podemos reduzir as emissões de metano alterando a composição da dieta, dando aos animais mais gordura, mais ácidos gordos insaturados e mais hidratos de carbono com pouca fibra. São os hidratos de carbono ricos em fibra que mais metano produzem.
A fertilidade também altera a concentração de metano.
Podem então selecionar vacas com base no genoma do rumen e não da vaca.
Intensificacar não é sinónimo de acabar com os sistemas extensivos.

Análise de Ciclo de Vida (ACV)
Apesar de não ser tema desta sessão, foram disponibilizados materiais e, na minha opinião, este tema liga-se muito bem à educação e à eficiência no uso dos recursos.
Inicialmente foi aplicada em sistemas industriais de bens e serviços e avalia o potencial relativo de impacte ambiental ao longo do ciclo de vida: extração de matérias-primas, transporte, fabrico, uso, fase final de processamento e desmantelamento.
Identifica oportunidades para melhorar o uso dos recursos naturais e para reduzir perdas ou ineficiências.
Identifica também potenciais desequilíbrios (Trade-offs).
Tem uma visão abrangente e sistémica
Apropriado para gestão de recursos naturais - avaliação numérica do efeito de redução de consumo de recursos naturais permitindo otimizar (fazer mais com menos).
A ISO 14040 normaliza a ACV.
Os principais desafios são:
  • qualidade e disponibilidade de dados
  • período de tempo
  • fontes de dados
  • incerteza da informação
  • consistência
  • reprodutibilidade dos métodos
  • precisão
  • representatividade
  • área geográfica
  • abrangência de tecnologias
  • consolidar bases de dados
  • aprofundar métodos (por exemplo contemplar avaliação do uso do solo, impactes sobre biodiversidade e sobre recursos hídricos)

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